O Mergulho
17/04/2009 - 12h50

RELATOS DOS MERGULHADORES CASTELLO E RAUL, 1ª FASE DO SÍTIO ARQUEÓLOGICO DOS GALEÕES, NO INÍCIO DOS ANOS 8O

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Acervo Julio Castello Branco, Fonte do Projeto Tedes - Protugal
Esta deveria ser a reverência dada a uma peça encontrada no fundo do mar, preservando a história marítima
Forum do Mergulho profissional - Realizado em 2000
Mergulhador com uma caveira(Crânio) na mão
JXS
Peças retiradas do naufrágio do Galeão Utrecht e suas Réplicas
Fonte:Nect-Sub - (Para Ilustração da Obra Viva de um Barco Afundado)
Mergulhador vendo os destroços do naufrágio do galeão, na correnteza com canhões ao fundo

Relatos dos Mergulhadores Profissionais, Raul Cerqueira e Julio Castello Branco. (foi usada uma linguagem na primeira pessoa, contando a história como ela ocorreu)


Quando se trata de uma pesquisa e exploração de um Barco afundado, temos que ter a consciência da responsabilidade de um trabalho de Arqueólogia Subaquática,  trazendo à tona todo um  trabalho histórico de Museulogia, o histórico da embarcação e a História Marítima do Brasil, que se faz sempre necessário ter a bordo, um Oficial da Marinha qualificado e um Arqueólogo Subaquático e mergulhador da Marinha do Brasil.

 

Na ideia de fazer um documentário ou entrevistas com o pessoal das pesquisas dos Galeões, fomos recebidos com neutralidade e fomos embora com neutralidade,  acompanhamos os trabalhos de mergulhos e as conversas informais. Pois, fizemos algumas imagens, foram hopitaleiros e participamos de uma inicíação dos primeiros passos de um levantamento de um sítio arqueólogico Subaquático no campo do Galeão Utrecht, Sec. XVII.

 

Numa tarde de verão no início dos anos 80, fomos até a Salvador, nos encontrar com o Mergulhador Baiano cujo o nome era Maré, pegamos uma embarcação de pequeno porte e seguimos para Itaparica. Nosso objetivo era encontrar o Galeão Nossa Senhora do Rosário (Português). Ele como conhecedor desde menino da região e das histórias contadas entre os pescadores, que são um arquivo-vivo dos naufrágios da região, desde dos barcos do século XV até pequenas embarcações na época.


(Faço aqui uma indicação aos interessados em barcos afundados, os pescadores são uma grande fonte de localizações de barcos afundados na sua região, em diversas gerações que são contadas e passadas entres eles)

 

Portanto, o Mergulhador Maré, abordou um local, lançou o ferro (âncora) e disse: "estamos em cima". Nos equipamos e perguntei a ele, qual é a profundidade? Ele disse: "20 metros".

Mergulhamos descendo pelo cabo do ferro, chegando a uns 15 metros de profundidade, com águas claras, já percebemos logo o Galeão Nossa Senhora do Rosário, totalmente destruído, com alguns canhões de bronze misturados com os lastros de pedras e outros materiais, em seguida rente ao fundo, vimos um Sítio Arqueólogico. Pelo menos era que dava a entender, como estava a noite, com um belo pôr-do-sol, voltamos para Salvador, e ficamos em um Hotel próximo a Praia dos Namorados. 

 

No dia seguinte fomos ao local dos naufrágios e vimos mergulhadores provalvelmente, trabalhando em cima do Galeão Utrecht, que estava a uns 22 metros de lâmina d`água, e nós a uns 18 metros de profundidade. Eles não se incomodaram com a nossa presença, o que foi ótimo, tiramos algumas fotos do início do projeto Arqueólogico Subaquática, conforme mostram as imagens que o nosso texto relatam os primeiros passos das operações de mergulhos no sítio Arqueólogico.


Depois voltamos no dia seguinte, e já não estava com as águas tão claras, com material em suspensão, mas dava para se ver bem, pois já tinha começado as dragagens com o Air-Life, um sistema de sucção para retirada de material tipo da areia, pedras e argilas. Com isso conseguimos registrar alguns Canhões Bronze e o surgimento da Obra Viva do Galeão Utrecht.

Foi interessante, nós acompanhamos alguns dias o trabalhos, eles não disseram nada, e nós menos ainda. Nossa missão já estava concluída, o Galeão Nossa Senhora Rosário estava todo destruído devido a explosão no seu paiol, pela ordem do Rei de Portugal, quando fosse abalroados por duas embarcações inimigas, que explodisse imediatamente o paiol do Galeão.


O capitão Português seguiu a risca as ordens, o Galeão Utrecht foi para o fundo e o Nassau, apesar de ter sido danificado, foi parar na praia de Itaparica, recuperado pelos portugueses, e deram depois seu novo nome: "Fortuna".

 

Voltamos para o Rio de Janeiro, e não tivemos mais notícias do pessoal, que era uma equipe formada por dois estrangeiros, se não me engano um Suíço e o outro Francês, e uma equipe bem entrosada, que parecia toda formada por mergulhadores Baianos, muito bem dispostos a realizar o trabalho com todo cuidado histórico, que merecia o Galeão.

É muito raro encontrar um Galeão do século XVII, o que faz do Utrecht e do Nossa Senhora do Rosário duas preciosidades na Arqueólogia Marítima do Planeta. No nosso site temos todo um projeto que envolveram algumas pessoas importantes, para serem recuperados e revelados uma das parte das pesquisas, como o Sr. John Somers, que contratou de Londres, uma pessoa com muito talento e especializado em recuperação de peças de metais dos naufrágios, quero deixar aqui bem explícito, os meus parabéns ao saudoso Sr. John Somers que junto com a Marinha do Brasil, foi possível recuperar muitos utensílios de estanhos, latões e outros materiais encontrados no Galeão, trazendo assim peças valiosas da nossa hitórias marítima, aos museus do Brasil.

As moedas obsidianas de ouro encontradas, oriundas da pesquisa subaquática sobre o Galeão Holandês Utrecht,  são historicamente  consideradas  as primeiras moedas brasileiras, porque foram  as primeiras moedas de ouro a serem cunhadas com o nome BRASIL, da Companhia Privilegiada das Indias Ocidentais, em território submetido à ocupação holandesa, com o objetivo de pagar ou  condecorar por bravura as tropas ali estabelecidas.

Citamos abaixo alguns procedimentos básicos da Arqueologia Subaquática, que entendemos da impotância da Arqueólogia, Museulogia e a História Marítima do Brasil, que é tão rica e tão mal informadas.

 

 

                    Síntese de Projeto de Arqueólogia Subaquática

 

- Levantamento Bibliográfico - Introdução - Histórico.

 

- Localização do Sítio , Equipamentos de Prospecção: Magnetrometro, Side-Scan Sonar e Mergulhos / Geofísica.

 

- Delimitação do Sítio, Levantamentos:  Tográfico / Fotográfico / Planimétro.

 

- Remoção Ordenada do Material:

 Apoio Logístico de Especialista de Áreas: Arqueológico, Cargas Afins - Classificação e Cadrastos.

 

- Elaboração de 1º Socorros / Material Resgatado(in locco)

 de Valor Histórico, Artisco e Aqueológico:

 Restauração / Conservação e Armazamentos - laborátorio: Metais, Material Osseo, Ceramica Material Lítico.

 

- Encaixe do Material dentro do Contexto: Temporal / Cultural.

  Reconstituição da História do Sinistro a Partir do Material.

  Coletado: Hipóteses / Debates em Equipe > Conclusão.

Conclusão a nível: Histórico / Econômico / Cultural / Ecológico/ Social / Científico.

 

Divulgação: Publicações (Meios de Comunicação):

Exposição / palestra / Jornais / TV / Rádio / Entrevistas / Vídeo / Cinema / Revistas Técnicas / Internet / etc...

 

Revitalização e Recontextualidade de Objetos e Informações no seu Espaço Histórico "Bem Cultural".

Ex: Fundação de Museu em Local regional no perímetro do local do Naufrágio.

Consciêtização Histórico / Ecológico / Cultural da Comunidade Local, Preservando com uma fiscalização de Proteção e interagindo com o naufrágio e o Eco - Turismo da natureza Regional.

 

http://sintasa.org.br/      

 

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Acervo do Galeão Utrecht no Espaço Cultural do Museu da Marinha do Brasil, doados pela John Somres.
Utensílios utilizados pelo médico do Galeão Utrecht, Réplicas doadas pela, JXS.
Comandante do Galeão Utrecht fazendo sua refeição, Espaço Cultural da Marinha.
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